quarta-feira , 30 setembro 2020

Treino de campeã

Um dos maiores nomes do Boxe profissional feminino brasileiro, Rose Volante pega pesado dentro e fora dos Ringues. São aproximadamente 30 a 40 horas de treino por semana, deixando apenas o fim de semana para descanso e ainda assim, no sábado, a folga só começa após concluir suas aulas em um projeto social.

“Às vezes faço uma corrida quando estou disposta, porém procuro reservar esse tempo só pra mim mesmo. Não sou muito de sair, gosto de ler, ouvir música e passar o tempo com a família e amigos. É simples mas já é o suficiente para recuperar as forças”, conta a atleta de 37 anos.

A periodização da lutadora varia de acordo com seu calendário de lutas, que é definido com ajuda de Felipe Moledas, treinador e manager da Equipe Memorial Santos. O estudo das adversárias por meio de vídeos também faz parte da preparação de Rose.

“Com base no perfil e histórico da atleta traçamos uma estratégia de treino e combate. Junto com meus treinadores procuramos um sparing com características similares para que o treinamento seja o mais próximo possível das condições que iremos enfrentar na hora do combate real”, explica.

Créditos: Alexandre Alves de Almeida

A rotina de Rose Volante

Segundas, quartas e sextas

8h as 10h: Treino físico com Douglas Ataide

14h as 17h: Treino de Boxe com Tony e Darlisson Leão

Terças e quintas

9h as 11h: Treino de Boxe no Centro Esportivo de Pirituba

11h as 13h – Fisioterapia preventiva – RPG e fortalecimento com o Dr. Hugo Loewenthal (Extreme Health)

15h30 as 16h30: Treinamento funcional com Marcos Mairtrejean

19h as 20h: Rose ministra Aula de Boxe em Pirituba

Atividades complementares

Criar um planejamento, traçar um objetivo e ter disciplina com os treinos são princípios fundamentais para quem busca chegar longe. Entretanto, mais do que isso, a ajuda de uma equipe multidisciplinar a fim de obter o melhor resultado.

“Além da preparação física e treinamento específico de luta, faço um trabalho de fisioterapia preventiva, atendimento psicológico para me deixar mais focada, consulta com endocrinologista para uma alimentação balanceada e nutritiva”, conta a boxeadora, patrocinada pela equipe Memorial Santos e apoiada pela Atlhetica Nutrition (suplementos alimentares), Everlast Brasil (calçados de luta), Pulser (luvas de boxe), Do Terra (óleos essenciais) e Forcefield (protetores bucais).

Créditos: Alexandre Alves de Almeida

Adaptação e adequação

Vale lembrar que Rose começou tarde no esporte. Em 2008, aos 25 anos, a paulista que residia em Pirituba procurou um projeto social da prefeitura para emagrecer. Depois de perder 40kg, decidiu competir e após a vitória por nocaute logo na estreia, não parou mais.

“Acredito que com força de vontade é possível vencer qualquer dificuldade. Cheguei a pesar 105kg. Não gostava de ir para a academia nem de qualquer esporte. A paixão pelo boxe mudou minha vida”, conta.

Ainda assim, a boxeadora reforça que é preciso respeitar os limites do corpo e o processo natural de envelhecimento. “Além dos treinos, focamos principalmente o trabalho na prevenção de lesões. Meu corpo precisa de um tempo maior de descanso para se recuperar de um combate, ao contrário das minhas adversárias, que são geralmente mais jovens e estão de volta a ativa rapidamente. Mas enquanto minha saúde permitir, continuarei lutando”, explica a atleta que se tornou pugilista profissional aos 32 anos.

Alimentação regrada

A dieta de Rose volante é prescrita pelo endocrinologista, Dr. João Ricardo Maia de Aguiar, contendo 5 refeições diárias. Apesar da rotina agitada, atleta é quem costuma ir pra cozinha preparar suas marmitas.

“Como já fui obesa preciso sempre cuidar da alimentação. Cozinhar não é um hobby, mas gosto de fazer minha própria refeição e não tenho restrições. Também deixo um dia da semana, geralmente sábado, para fazer uma refeição livre, onde como de tudo, incluindo doces, frituras, mas sem exageros”, afirma.

Entre os suplementos alimentares consumidos durante o dia estão os produtos da Atlhetica Nutrition: pré-treino X Preworkout, que aumenta o fluxo sanguíneo nos músculos melhorando a performance; Reaction Hpro, proteína isolada e hidrolisada para aumentar o ganho de massa muscular; chá XTea de hibisco, gengibre ou carqueja, para acelerar o metabolismo; e NAC, cápsulas a base de N-Acetil e L-Cisteína, para evitar fadiga muscular. O consumo de BCAA,  aminoácidos, glutamina, creatina e cloreto de magnésio também complementam a nutrição da atleta.

“É importante destacar que o boxe é uma modalidade esportiva bastante exigente, que pode levar a desidratação e fadiga facilmente. Por isso ter uma alimentação balanceada é necessário para repor todos nutrientes perdidos durante os treinamentos”, conta Rose.

Créditos: Alexandre Alves de Almeida

Trabalho mental

Em 2012, Rose teve uma lesão cervical que não apenas a afastou das por seis meses do ringue, mas desencadeou uma depressão que por pouco não levou a aposentadoria. “Eu me senti perdida, impedida de fazer aquilo que mais amava”, relembra.

Nessa época, Rose conheceu o psicólogo Leo Baroni, com quem está trabalhando há 8 anos. Nas sessões, Rose também aprendeu a lidar com um problema que atinge diversos esportistas: o controle da ansiedade.

“Subir no ringue traz aquele nervosismo, misturado com expectativa, tensão, adrenalina… Com a ajuda da psicologia eu consegui acalmar minha mente e dar o melhor de mim em tudo o que faço”, explica.

O caráter estratégico do boxe também demanda que o atleta mantenha a concentração alta e o foco bem definido para não “ir pra lona”. “Muitos acham que o boxe é só bater, mas não. É você tocar sem ser tocado e pra isso precisa manter a cabeça no lugar”, diz.

Próximo desafio

No segundo semestre de 2019, a brasileira passou uma temporada de 3 meses na Argentina, focando mais em treinamentos de força através do intercâmbio com lutadoras de outros países. Neste ano, de volta ao Brasil, o objetivo é trabalhar mais velocidade e potencia, de olho no próximo combate, ainda sem data definida por conta da pausa no calendário esportivo devido a crise do coronavírus.

“Era para ter lutado no mês de fevereiro, mas minha adversária teve um problema e tivemos que cancelar o combate. Mas isso faz parte da vida de atleta profissional. Sigo treinando forte para recuperar o cinturão e também continuar inspirando mulheres nessa modalidade que eu me apaixonei”, finaliza a primeira brasileira Campeã Mundial de Boxe (WBO/2017).

FOTOS: Alexandre Alves de Almeida

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