terça-feira , 12 novembro 2019

Peter Venâncio Júnior – Peixinho será?

Peixinho será?

 

Considerado uma das revelações do boxe nacional, Peter Venâncio Júnior encara uma verdadeira saga para repetir carreira vitoriosa do pai nos ringues.

 

Por Andressa Rufino

 

Peter Venâncio Pai

 

Os fãs de boxe da década de 1980, 1990, certamente viram de perto ou ouviram falar da garra, obstinação e coragem de Peter Venâncio. Inspirado por George Foreman, o paulista que migrou do futebol para os ringues na adolescência mostrando uma identificação nata com o pugilismo e alcançando resultados expressivos desde as primeiras lutas. Em 5 anos como atleta do Centro Olímpico, grande referência na formação de campeões da modalidade, foram 2 títulos brasileiros, 3 campeonatos paulista, um sul-americano e ainda participação nos Jogos Olímpicos de Seul-1988 na categoria médio ligeiro.

 

Chegando ao topo do boxe no Brasil, Peter mudou-se para os Estados Unidos em 1995 após assinar contrato com o famoso promotor norte americano Don King. Infelizmente, as coisas não saíram exatamente como o esperado na terra do Tio Sam. Apesar de estar treinando e competindo ao lado de alguns dos melhores pugilistas da história, o retorno financeiro deixou a desejar, fazendo com que Peter retornasse ao Brasil três anos depois.

 

Radicado na Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, Peter Venâncio lutou até pouco mais de 40 anos de idade, surpreendendo muitos com a ótima forma física. Atualmente aposentado dos ringues, é um dos principais incentivadores do filho, guiando seus passos na dura empreitada no boxe profissional.

 

Crescendo com gigantes

 

Peter Venâncio da Silva Júnior nasceu em São Caetano do Sul dia 06 de agosto de 1998, mas cresceu na zona leste de São Paulo. Em 2014, aos 15 anos, começou a treinar boxe na academia do pai por lazer, mas após um evento regional o renomado treinador Messias Gomes viu seu potencial e o convidou para treinar no Centro Olímpico, onde aprimorou suas habilidades por quase um ano. Depois disso, acabou migrando para o Palmeiras treinando alguns meses com o cubano Paco Garcia. Peter Júnior ainda teve uma passagem pelo Santana de Paranaíba, treinando com os profissionais.

 

Com 1m74 e 65kg, o jovem mostrou seu talento sendo um dos destaques da categoria até 60kg da modalidade. “Ele é canhoto, trabalha golpes mais retos e na longa distância por conta da estatura. O bom é que ele também aprende rápido, se movimenta muito bem, tem qualidade, disciplina e foco. Só depende dele chegar lá”,  conta Peter Venâncio, todo orgulhoso.

 

Peter Venâncio e seu filho Peter Venâncio Jr.

 

Futuro incerto

 

Com a estrutura limitada entre os amadores e pouco investimento financeiro, passou para o boxe profissional no início de 2017. Apesar da mudança, o jovem ficou um período desiludido com o esporte, se afastando dos treinos e dos combates. No ano seguinte, surgiu um convite para ir para a Colômbia lutar contra alguns atletas de ponta. A esperança de seguir no meio esportivo foi renovada.

 

No início de 2019, a DSA Engenharia se interessou em patrocinar Peter Júnior e mais um atleta de destaque na modalidade, criando a DSA Boxe Team. Existe a oportunidade do prodígio ir para os Estados Unidos, algo que ainda não se concretizou pois o promotor que vem negociando com ele e seu pai exige um cartel de 8 lutas realizadas no profissional.

 

“Essa tem sido minha principal dificuldade. Até o momento a maior parte dos desafiantes interessados em lutar são iniciantes, o que não agrega muito tecnicamente nem para o cartel. Por isso sigo a procura de adversários de bom nível. Graças ao patrocínio, estou treinando firme, consegui fazer 2 lutas esse ano. Espero superar essa fase, atingir a meta e continuar minha carreira no exterior”, conta o jovem de 21 anos.

 

Superar dificuldades faz parte do histórico do Venâncio Pai. Resta saber se o espírito guerreiro continua no sangue e permitirá ao garoto prodígio conquistar reputação e carreira sólidas, assim como o pai.

 

 

Edição 25

 

Confira a matéria na edição 25.

 

 

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