terça-feira , 12 novembro 2019

LARISSA CUNHA: Ícone do Fisiculturismo em Entrevista Exclusiva

LARISSA CUNHA: 25 anos de história e sucesso no bodybuilding

 

Considerada um verdadeiro ícone do fisiculturismo feminino, a paranaense de 43 anos não é só uma colecionadora de títulos, mas um verdadeiro exemplo de profissional comprometida e dedicada ao esporte.

 

Oriunda de uma família humilde e tendo que lidar com a perda do pai, Larissa começou a trabalhar bem cedo, aos 13 anos, ministrando aulas particulares de reforço escolar. Passou a adolescência dividindo a rotina de estudos com aulas de música, apresentações com uma banda marcial e algumas idas com a mãe para a academia de ginástica, onde teve seu primeiro contato com a musculação. A paixão pelos livros e vontade de se tornar musculosa fizeram com que a jovem entrasse na faculdade de Educação Física aos 17 anos.

 

Em uma época onde a informação sobre bodybuilding ainda era muito limitada e muitas vezes vinda do exterior, Larissa não se intimidava e foi atrás de pesquisas, livros, palestras, cursos, professores, treinadores e atletas para adquirir experiência e trocar informações sobre a modalidade. A curitibana não só se tornou educadora física como ingressou e concluiu uma segunda graduação em nutrição e ainda fez várias especializações – Treinamento Desportivo, Fisiologia do Exercício, Fitoterapia, Saúde e Estética.

Larissa Cunha

Poucos sabem, mas, com incentivo do irmão faixa preta de Muay Thai, aos 28 anos fez parte da Equipe Chute Boxe, treinando com feras como Cris Cyborg. A carreira como lutadora acabou cedo após uma lesão no joelho, mas o aprendizado também foi útil para ajudar a definir os músculos e seguir em alta nas competições de fisiculturismo.

 

Atualmente Larissa usa todo seu conhecimento para prestar uma consultoria exclusiva e personalizada para atletas de várias modalidades de âmbito nacional e internacional. Sócia de uma academia em Curitiba, pretende também finalizar a Faculdade de Biomedicina e abrir uma clinica com ênfase em Harmonização facial.

 

Confira a seguir uma entrevista exclusiva da atleta e nutricionista patrocinada pela Adaptogen Science.

 

Larissa usa todo o seu conhecimento para prestar uma consultoria exclusiva e personalizada para atletas de várias modalidades de âmbito nacional e internacional. Também é sócia de uma academia em Curitiba.

Combat Sport – Larissa, você está completando 25 anos dedicados ao fisiculturismo e é uma das pioneiras no Brasil. Conte melhor quais foram as dificuldades do início de carreira

Larissa Cunha – Aos 13 anos, acompanhava minha mãe na academia para aulas de ginástica localizada. Um dia vi com uma revista chamada Flex Magazine que falava sobre o universo bodybuilding. Me deparei com homens e mulheres musculosos, com um físico lindo e decidi: Quero ser musculosa! cresci com a ideia e vontade se tornou cada dia mais forte. Aos 17 anos, comecei treinar e passei no vestibular para faculdade de Educação Física.

 

Logo no início do curso conheci um professor que se propôs a me ajudar a realizar meu sonho. Mesmo com dificuldades, minha mãe contratou uma nutricionista e uma personal trainer. A vontade de crescer era tanta que mesmo com essa primeira “equipe multidisciplinar”, sai atrás de experiências, conversei com alguns atletas, pesquisava muito na biblioteca troquei informações e quando vi já estava montando meu próprio treino. Participei do meu primeiro campeonato com 21 anos e já fui campeã paranaense e quarta colocada no Campeonato Brasileiro. Nesta mesma época, conheci o Professor Waldemar Guimarães, recém chegado da Inglaterra com muitas novidades e um livro chamado Anabolismo Total, que me ajudou muito. Continuei atrás de palestras, cursos, mais livros, me capacitando e evoluindo, assim como os meus resultados, convertidos em várias medalhas e títulos.

 

CS – Como você vê o futuro da modalidade especialmente entre as mulheres?

 

LC – Hoje, com as categorias novas dentro fisiculturismo feminino, a chance de competição aumenta, o que atrai mais as mulheres. São várias categorias, como: Bikini, Wellness, Body Fitness, Sport Model, Diva Fitness… Quando comecei, só existia a categoria Masculina e Feminina no Bodybuilding, então, o atleta tinha que ser grande e definido, não existia outra possibilidade. Mas foi por esta modalidade que me apaixonei perdidamente. Treino forte todos os dias para manter meu corpo com volume e massa muscular.

 

Acredito que atualmente o corpo sarado está na moda. A mídia e as redes sociais tem ajudado muito na divulgação dessa ideia. Mulheres de várias faixas etárias querem ficar musculosas ou “saradas”, com isso, aumenta as expectativas no Fisiculturismo. Vim da época, onde os campeonatos eram realizados sem estrutura. Hoje, a beleza nos palcos, as luzes, músicas, emocionam e atraem mais adeptos.

 

CS – Com diversos títulos conquistados, tem algum que você tem um apego mais profundo? Aquele que você tem orgulho de lembrar ou conta sempre a história de como chegou lá? 

 

LC – Cada conquista tem seu valor, desde a menor, que na sua época foi  grandiosa, até as mais recentes. Fui pentacampeã paranaense, campeã paulista, tricampeã Brasileira, campeã sul-americana, bicampeã mundial e campeã do Miss Universo, o meu maior título. Para conquistar todos eles, não foi fácil. Mas, acredito que chegar ao Miss Universo foi incrível!! Eu estava em um ritmo excelente de treino e dieta, mas vindo de um Mundial não muito bem sucedido (quinta colocação). Eu estava querendo desistir por alguns problemas, mas um amigo, o Paulo Veloso, hoje Presidente WFF Brasil, não deixou e eu fui para a Inglaterra com a cara e a coragem.

 

Chegando lá, vi atletas que fizeram e fazem parte da história do Fisiculturismo Mundial. Me senti emocionada e um pouco insegura. Competi com atletas favoritas e experientes, foi simplesmente demais! Estávamos em 23 atletas, sendo que somente 6 ficam para as finais. Na final, foram chamando os nomes em ordem decrescente. Veio a sexta, quinta, quarta e eu pensei “Caramba! Estou entre as 3 melhores atletas do Mundo!!!”. As pernas tremiam. Chamaram a terceira colocada e eu já não sabia mais o que pensar:  “vice-campeã? Meu Deus!!”  Mas era melhor do que poderia esperar, primeira colocada!! Neste momento a emoção tomou conta e chorei agradecendo a Deus. Corri para pegar uma bandeira do Brasil que jogaram no palco. Não sei de onde veio a bandeira, mas estava lá. É uma história que ainda me toca muito.

 

CS – Você teve que superar diversas barreiras para crescer no esporte. Você acha que ainda existe muito preconceito ou críticas, especialmente pelo fato de ainda ser uma modalidade muito associada ao homem ou mesmo ao uso de anabolizantes? A Graciane Barbosa, por exemplo, é bastante famosa, mas também recebe muitas críticas pelo seu “tamanho”. Se sim, como você lida com esse preconceito?

 

LC – Antigamente, tive que quebrar barreiras e me superar, mas hoje tudo é mais fácil para todos. Muitos querem ser musculosos e tem um corpo que chama a atenção. A única coisa ainda que incomoda é a falta de respeito em redes sociais. Apesar de ser uma minoria que tenta te atingir desrespeitosamente, acredito que se cada um cuidasse de sua vida, tudo seria mais fácil. Se a pessoa não gosta, não precisa xingar, basta não comentar. Mas não me importo com o que os outros pensam, escrevem ou falam sobre mim porque sou uma vencedora e amo o Fisiculturismo.

 

CS – Você relata em outras entrevistas que o estudo ajudou você a crescer no esporte. Conte um pouco mais sobre sua formação e como você superou as limitações?

 

Fiz Educação Física, me formei aos 21 anos. Não existia internet, as pesquisas eram em livros, bibliotecas e com o conhecimento empírico de outros atletas. Fui para São Paulo fazer uma pós-graduação em Fisiologia do Exercício. Foi quando conheci o Sr. Arnaldo na Combat Sport. Quando entrei na loja, não sabia pra onde olhar. Eram vários potes de suplementos: grandes, pequenos, coloridos… E olha que naquela época era muito difícil o contato com a suplementação nutricional. Até aquele dia, eu só tinha tido contato com Albumina comprada a granel, fígado dessecado e o Natubolic da Integralmedica. O Sr. Arnaldo, sempre muito atencioso, me explicava sobre os suplementos, mas eu infelizmente não tinha dinheiro para comprar. Porém só de estar ali na loja já achava o máximo.

 

O tempo foi passando e eu continuei estudando e pesquisando, agora já com internet. Senti a necessidade de fazer mais uma faculdade, agora de nutrição devido ao grande número de consultorias de treinamento que prestava. Continuei me especializando na área esportiva e hoje também sou bacharel em Teologia, especialista em Treinamento Desportivo, Fisiologia do Exercício, Fitoterapia, e Saúde e Estética, além de mestranda em Nutrição e Biotecnologia dos alimentos e acadêmica do curso de Biomedicina. Por isso sempre digo: saia da zona de conforto e busque seus objetivos!!!

 

CS – Ainda sobre os estudos, você vê alguma evolução ou piora no trato com o fisiculturismo no meio acadêmico? Como a internet ajuda ou atrapalha? 

 

LC – As informações são mais relevantes, temos muita ciência envolvida, mas ainda pouquíssimos profissionais capacitados em transmitir todo esse conteúdo e assimilar na preparação de atletas. No meio acadêmico, o máximo que fazem é passar trabalho de pesquisa e o aluno apresentar no dia da aula.

O Fisiculturismo envolve matérias importantes como anatomia, fisiologia, química, bioquímica etc, é muito complexo. Vejo atletas nos mais diversos períodos da faculdade sem base médica nutricional, treinando tudo errado, seguindo dicas da internet. Claro que o mundo virtual tem seu ponto positivo para quem sabe pesquisar. Pesquisas cientificas podem ser feitas, mas os blogs são os mais vistos e tem muita coisa sem fundamento científico, então as pessoas precisam filtrar melhor no que lêem. A preparação de um atleta tem que ser multidisciplinar, com nutricionista, médico, educador físico, psicólogos, enfim, todos tem que caminhar juntos.

 

… Um dia vi na academia uma revista chamada Flex Magazine, que falava sobre o universo Bodybuilding. Me deparei com homens e mulheres musculosos, com um físico lindo e decidi: Quero ser musculosa!…

 

CS – Com sua vasta experiência no mercado você criou um método próprio de treinamento: MTT Mixed Techniques Training. Quais os pilares desse tipo de treino? Como ele se diferencia dos padrões já existentes no mercado?

 

Criei esse método a partir de experiências próprias em treinamento, pesquisas fisiológicas, cinesiologia e troca de informações com vários atletas de dentro e fora do país. A aplicação é complexa. Busco o estímulo neuromuscular de uma forma onde o cérebro e os músculos recebam informações diferentes a cada treino. Existe uma ordem evolutiva dentro dos estímulos aplicados, tentando abranger fibras brancas, intermediarias e vermelhas, ou seja, o maior número de unidades contráteis em cada treino, forçando uma recuperação muscular acentuada.

 

  1. 7. Que atributos você acredita que fizeram você se destacar das demais concorrentes no decorrer da sua carreira? O que faz o sucesso de um atleta multicampeão como você?

 

Nunca fui uma atleta gigante, tenho ossos finos e uma grande dificuldade em aumentar a massa muscular. Disciplina e perseverança são palavras que me acompanham diariamente. Durante os anos de treinamento fui conquistando essa maturidade muscular. Alimentação regrada por anos e anos, focando sempre a definição muscular. Quando entro no palco estou bem trincada e acabo me classificando melhor quando comparada com atletas mais volumosas.

 

Hoje meu trabalho foi reconhecido pela NABBA/WFF e este ano, o Campeonato Paranaense, seletiva para o Brasileiro, decidiu me homenagear colocando meu nome no Troféu. Isso é motivo de muito orgulho e só tenho a agradecer ao Paulo Veloso e ao Rodrigo Koprowski.

 

 

CS – Com 43 anos de idade, como você se mantem motivada no esporte? o que você acredita que precisa melhorar ou trabalhar mais na sua carreira daqui pra frente?

 

O esporte faz parte da minha vida, gosto de treinar e de fazer dieta. Falando mais do lado profissional, quero abrir uma clínica no final do ano que vem e trabalhar com biomedicina estética, continuar atuando com nutrição e consultoria em treinamento esportivo. Na parte esportiva, pretendo continuar fazendo meu melhor para representar bem o Brasil, porém, levando musculação mais como hobby. Quero competir mais, porém não será prioridade.

 

… atualmente o corpo sarado está na moda. A mídia e as redes sociais têm ajudado muito na divulgação dessa ideia. Mulheres de várias faixas etárias querem ficar musculosas ou “saradas”, com isso, aumentam as expectativas no Fisiculturismo…

 

CS – Qual a principal lição que você carrega do fisiculturismo no seu dia a dia? O que está por trás das barras e alteres que mais te fascina no esporte e te faz seguir firme nele? 

 

Aprendi a não desistir. Ser atleta não é fácil, temos que buscar a evolução e a perfeição diariamente, Isso se aplica também profissionalmente. Evoluir, pesquisar, aplicar conhecimento, crescer, não desistir no primeiro tropeço.

O esporte e a vida são assim, nos fazem acreditar que podemos vencer!

 

Informações para contato

Consultoria e dieta: larissagcunha@hotmail.com

Telefone: 041- 9285-3355

www.larissacunha.com.br

@larissacunhaofical

 

 

Sobre combat@123

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