segunda-feira , 22 julho 2019

FERNANDO MARQUES

FERNANDO MARQUES
Um dos treinadores mais bem sucedidos do país esclarece nesta matéria o atual momento do mercado de Musculação, Fitness e de suplementos alimentares.

Com mais de 32 anos de experiência no Bodybuilding, Fernando Marques é um dos profissionais-chave que reforçam o time da Black Skull USA, marca de suplementos importados que conquistou um crescimento espantoso nos mercados brasileiro e mundial nos últimos anos.

Aos 17 anos, trabalhava como aprendiz na academia de seu mestre Willians Puchetti e depois foi para a BIOCORP, uma empresa pioneira em suplementos alimentares. Em 1989 iniciou suas atividades na Loja e Editora Combat Sport, sendo logo promovido a promotor/educador de suplementos, onde teve a oportunidade de iniciar sua carreira como palestrante. Trabalhou na Combat Sport até o início de 1991, quando recebeu um convite para ser treinador na Academia Parallellas, na zona sul da capital paulista. Em 1994 abriu sua primeira academia, a Venice Gym, na tradicional rua Augusta, São Paulo (SP), e foi sócio-fundador da First Personal Studio em 2004. Paralelamente foi um dos responsáveis pela criação de duas edições especiais da Editora Combat Sport, O Guia do Fisiculturismo, na época um sucesso de vendas, com a intenção de oferecer ao mercado informações técnicas de nutrição e treinamento. Foram publicações que destacavam as práticas na Musculação de alto rendimento. Também seguiu como palestrante atuando na Nestlé, durante a introdução da linha PowerBar no Brasil, na Probiótica e mais recentemente na Black Skull USA.

Conhecido como um dos treinadores mais bem sucedidos do nosso país, foi treinador de diversos campeões e ícones do Bodybuilding nacional, como Antonio Domicil, o fisiculturista mais velho do Brasil. Por muitos anos participou ativamente de campeonatos de Musculação e fisiculturismo, atuando em todas as áreas da parte operacional – atleta, técnico, segurança, atendente de bilheteria, staff, árbitro, mesário e mestre de cerimônias -, chegando inclusive a refundar e presidir a Federação Paulista de Musculação (IFBB/SP). Foi apresentador do show profissional da IFBB Pro League no Arnold Classic South America 2017. Um currículo e história impressionantes, construídos com muito trabalho, dedicação e amor pelo esporte.

Em abril de 2017, a vida cruzou novamente os caminhos de Fernando Marques e Marcelo Bella, quem o treinador considera o maior fomentador do mercado de suplementos. Amigos há mais de 3 décadas, atuaram quase 10 anos juntos na empresa Probiótica, na época líder do mercado de suplementos do Brasil, quando Fernando palestrava sobre treinamento e suplementaçã o, representando a marca na qual Marcelo era diretor. Já no início dos anos 2000 a dupla estava na vanguarda do mercado. A proposta não era só vender produtos, mas informar melhor os vendedores, treinadores e nutricionistas sobre os benefícios da suplementaçã o, trazendo a teoria para a prática do dia a dia. Desta forma, as pessoas poderiam entender melhor como consumir adequadamente os produtos, suas funções, princípios ativos, entre outros benefícios para a saúde, incluindo a praticidade.
“Quando o Bella deixou a Probiótica, esse trabalho de educação ficou em um limbo. Tentei continuar à fazer sozinho, mas precisava também ser um cara de vendas. A ideia era educar as pessoas para um melhor entendimento de que os suplementos são alimentos, não substituem a alimentação tradicional, tampouco são esteroides anabolizantes”, destaca Fernando.

Com quase 35 anos de experiência nos segmentos Fitness e de Nutriçã o Esportiva, Marcelo criou a Black Skull USA, que tem a missão de fabricar suplementos alimentares mais concentrados, e por isso altamente eficientes, direcionados ao público que busca resultados efetivos para construir um corpo forte, definido e saudável. A marca não retomou os workshops logo no inicio de sua história, mas depois de algum tempo, com a empresa mais estruturada, a necessidade e o interesse na área de treinamentos e palestras voltou. Fernando foi convidado não apenas para palestrar, mas para formar um time campeão e realizar workshops da Black Skull USA em todo o Brasil. Atualmente ele também trabalha como adjunto de marketing, gerente de eventos, além de ser responsável pelo atendimento e suporte aos atletas patrocinados.

EDUCAÇÃO PARA MELHORAR O MERCADO
O diferencial no trabalho da Black Skull USA está justamente em realizar workshops para professores de educaçã o física, treinadores e nutricionistas, não apenas para o consumidor final. “O contato diário dos praticantes de academia é com os professores. Dificilmente um aluno vai tão regularmente ao nutricionista quanto vai à academia. Portanto, o objetivo é informar principalmente aos profissionais de educação física o que é suplementação e como utilizar corretamente, não necessariamente para que ele faça o trabalho de indicação de suplementos, que é do nutricionista, mas para que ele possa esclarecer dúvidas e evitar o mau hábito do praticante de usar o que foi indicado por amigos ou o que se acha na internet. Os professores e treinadores são os principais formadores de opinião para o nosso público.”
Durante os workshops, Fernando procura atender as necessidades dos treinadores também na área técnica, com aulas dinâmicas que contribuem para a integraçã o direta do conhecimento com a realidade das academias. “Temos vários formatos e opções para os clientes, mas o que mais gosto de fazer são os treinamentos teóricos e práticos. Geralmente são 3 horas de palestra – eu falo muito mesmo (risos) – e depois vamos para a academia treinar e sentir na prática como funciona”, pontua.
A tecnologia também está a favor da Black Skull USA.

Há alguns anos, Fernando lançou no mercado vários DVDs de treinamentos, onde ele filmava alguns atletas de alta performance em seus treinamentos reais e adaptava esses treinos com mais informações para praticantes menos avançados. Agora o mesmo trabalho está no canal Black Skull USA no YouTube, onde o treinador passou a disponibilizar uma série de teasers e alguns treinos completos nos quais aspectos podem ser inseridos ou adaptados no dia a dia de alunos comuns. Também foi desenvolvido um aplicativo exclusivo no Brasil e pioneiro no mundo em que, ao chegar na loja para comprar suplementos, os balconistas ou os próprios clientes podem utilizar a câmera do seu celular para focar no produto e o app identifica a caveira (símbolo da marca), mostrando um vídeo curto sobre o mesmo.
E as novidades não param por aí. Um dos objetivos do treinador é montar um centro de treinamento inédito no país. “Existe uma rede de academias no Oriente que se chama Oxigen, onde grandes campeões, como Big Ramy, forte candidato ao Mr. Olympia, treinam. O dono também trabalha com suplementos, então a ideia é fazer o mesmo na Black Skull USA. Um centro integrado que funcione como uma academia de alto nível para os alunos comprometidos com objetivos sérios e que seja também um local de estudo e aperfeiçoamento para professores”, explica.

 

Além disso, Fernando também observa outras oportunidades no mercado nacional, como por exemplo realizar dentro desta academia um treinamento que prepare fisicamente os candidatos que estão fazendo cursos preparatórios para concursos públicos como o da Polícia Federal, Polícia Militar e Academias Militares. “Como a Black Skull USA tem uma identificação muito grande com esse público e também conta com os pesquisadores do Hero Science Institute (HSI), seria perfeito integrar e desenvolver esse trabalho no centro de treinamento.”

QUEBRANDO PARADIGMAS
Um dos principais objetivos do trabalho do treinador é seguir conscientizando as pessoas e o mercado sobre uma série de “meias-verdades” que acabam se perpetuando através da internet no mundo da Musculaçã o e do Bodybuilding. Ainda falando sobre suplementaçã o, vale destacar que os suplementos podem ajudar TODOS os tipos de pessoas, inclusive idosos, não apenas praticantes de atividade física.

“A primeira vez que fui ao Reino Unido fiquei impressionado. Entrei em uma loja de suplementos e vi vários idosos comprando whey, vitaminas, antioxidantes e óleo de peixe. Ou seja, a suplementação deveria ser encarada como algo natural, que ajuda no cotidiano e todo mundo pode utilizar. Um idoso com sarcopenia, que não consegue comer de 3 em 3 horas, muito menos 300 gramas de carne ou frango por refeição, pode se beneficiar muito mais com o uso de whey protein do que um atleta de alto rendimento. Está cada vez mais difícil a pessoa se nutrir adequadamente devido à rotina do dia a dia”.

Deste modo, a suplementaçã o é apropriada por dois motivos. Primeiro a necessidade fisiológica. Segundo, devido aos novos hábitos de consumo e a praticidade como fator agregador. “O criador da PowerBar percebeu que nos 10 quilômetros finais da maratona ele perdia muito rendimento por causa da falta de nutrientes. Então ele começou a cozinhar em casa um melado com aveia, mel e outros nutrientes. Fazia aquilo endurecer, secar, cortava e embalava no papel alumínio e ia para a prova. Ele fez para os amigos e depois as barras proteicas viraram um fenômeno do mercado. Hoje a pessoa que precisa fazer 5 ou 6 pequenas refeições por dia pode substituir uma marmita por suplemento, seja em barra, shake, enfim”, lembra.

Talvez um dos maiores desafios do profissional de educaçã o física seja mostrar que a Musculaçã o não é somente fisiculturismo e sim uma das melhores atividades físicas para se praticar. “O problema é que todo mundo busca o milagre, o resultado rápido. Mas as coisas não acontecem assim, a menos que a pessoa seja privilegiada geneticamente. O consenso científico demonstra que os exercícios resistidos são os mais eficientes e seguros para todas as pessoas”, afirma Fernando.

Outra vantagem é que a Musculaçã o pode ser praticada por pessoas de todas as idades, sendo indicada especialmente para idosos. A perda gradual de massa muscular e óssea é natural do processo de envelhecimento, porém é preciso lembrar que diminuiçã o da força nos músculos pode ocasionar problemas de mobilidade e equilíbrio, além de possíveis quedas, que podem ser agravadas devido à fragilidade dos ossos, ocasionando fraturas. “No dia a dia você pode não precisar de força para levantar uma barra, mas precisa para subir uma escada, se levantar da cadeira ou do vaso sanitário sem ajuda… Força é o atributo que o ser humano mais perde com a idade e com o sedentarismo. Por isso, a Musculação é a atividade física mais indicada para manter e até aumentar a qualidade de vida das pessoas”, assegura Fernando.

Ainda quando o assunto é idade, o treinador esclarece também os benefícios da Musculaçã o para crianças e jovens, tema bastante tabu nas academias, escolas e entre diversos profissionais do meio. “Em vários países, times infanto-juvenis de basquete, beisebol, futebol americano, entre outras modalidades, fazem Musculação para que os pequenos se lesionem menos. O objetivo do treinamento resistido nessas crianças/atletas não é hipertrofia máxima e sim construir uma musculatura mais forte para aliviar o trabalho das articulações, do coração e também dos pulmões durante o esporte específico que praticam. As crianças hipertrofiadas da internet são exceções.”
Por fim, é preciso explicar novamente a natural confusão entre Musculação e fisiculturismo. Para muitos parece ser a mesma atividade e a realidade não é bem assim. O Bodybuilding competitivo é na verdade a mais alta performance da Musculaçã o. “É como um carro. Existe, por exemplo, a Mercedes que você vê e compra na loja, top de linha, e existe o carro de Fórmula 1 da equipe Mercedes. O F1 representa a alta performance do automobilismo, mas esteticamente não é um carro bonito e nem todos podem pilotar. Fazendo a comparação com Musculação e estética a partir do momento que se tiver consciência de que o Bodybuilding é a Fórmula 1 da Musculação o preconceito diminui”, diz Fernando.

PERSPECTIVAS DO MERCADO
O crescimento do mercado no Brasil e na América Latina é o que faz o treinador se motivar à ir cada dia mais longe. O sucesso de feiras como o Arnold Classic South America ressaltam o interesse do público brasileiro no segmento. “O Arnold promove com seu festival o esporte como um todo no Brasil e no mundo. Com isso traz o crescimento de empresas de equipamentos, de suplementos, academias e consequentemente do mercado. No segundo semestre ainda teremos a feira do Mr. Olympia pela primeira vez realizada aqui no Brasil”.
Ainda assim, Fernando faz um alerta com relaçã o à desvalorização dos profissionais da área. “Hoje temos esse mercado de academias fitness e low cost, que são operações financeiras, onde os professores ganham mal e por isso são obrigados a aumentar sua carga horária de trabalho diário com muitas aulas de personal training para ter uma renda melhor. As academias por sua vez ganham duas vezes, pois investem pouco na mão de obra e ainda cobram uma taxa sobre esse serviço do professor. Eu mesmo, durante muitos anos, recebia um salário proporcionalmente inferior ao valor da taxa que pagava para a academia onde trabalhava.”

Segundo o treinador, o que existe atualmente no mercado é uma inversão de valores. As academias tem uma retençã o média de 25 à 30% dos clientes, sendo que a maioria dos praticantes sai nos primeiros 3 meses. Para aumentar esses números é feito um alto investimento na estrutura do ponto e em equipamentos modernos em detrimento à capacitação dos profissionais. “O calcanhar de Aquiles não é a estrutura e sim o atendimento. É o professor que faz a diferença na vida do aluno, não uma máquina, e ele muitas vezes é mal preparado. Pode trocar todo o maquinário, colocar aparelhagem de última geração que não vai resolver. Por experiência própria, posso dizer que se fosse investido um terço do valor da compra de novos equipamentos com capacitação profissional, com certeza isso iria aumentar a retenção de clientes”, afirma.
Para que a realidade mude, é necessário um comprometimento maior de empresários e investidores com a missão de melhorar a saúde das pessoas através da atividade física. “Somos um país com um percentual muito pequeno de pessoas que praticam atividade física regularmente e pesquisas indicam que logo estaremos alcançando os Estados Unidos proporcionalmente em número de obesos, inclusive crianças. Por isso, vejo também que a vinda das academias low cost foi uma coisa boa para o mercado. Elas, em sua maioria, só tem Musculação e ergometria, o que está popularizando a modalidade. O grande problema é que o brasileiro acha que pode treinar sozinho, sem orientação. Treino desde os 14 anos e cada vez que vou à uma academia dessas aprendo um exercício que nunca vi (risos)”, enfatiza Fernando.

Por isso, um dos desafios da nova geração de profissionais é apostar no atendimento individualizado e não se atentar apenas aos modelos de treinamento padrão ensinados nas universidades. “Nas faculdades de Educação Física do Brasil, os professores da disciplina Musculação focam muito nos conceitos do Colégio Americano de Medicina Esportiva, que é muito bom, porém estuda força em atletas olímpicos e não em pessoas comuns. Então a pergunta é: no dia a dia a maioria dos professores lida mais com pessoas como Bolt ou com aquele cara que procura a academia para deixar de ser sedentário e perder peso?. Então, o profissional tem que procurar por conta própria cursos e as federações esportivas para expandir o conhecimento técnico. Muitas vezes o professor sai formado sem ter ouvido falar no nome de Joe Weider, que foi quem organizou as técnicas de treino mais utilizadas nas salas de Musculação, como por exemplo, séries piramidais, super séries, bi sets, tri sets, drop sets, etc.”
Assim, mais uma vez se reforça a importância dos estudos e da qualificação profissional, área em que Fernando está mais do que disposto à continuar promovendo em sua vida. “Com Educação, o esporte cresce, os profissionais evoluem e quem ganha mais é o público, que melhora a saúde e tem mais qualidade de vida”, conclui.

 

Sobre combat@123

Check Also

MARMITAS FIT – Muita atenção!

Muitas perguntas me são feitas em relação as “marmitas fit”, muito em moda ultimamente. Aquelas …