terça-feira , 2 junho 2020

Da passarela para o octógono

Natural de Mendes, região do Planalto Fluminense aos pés da Serra do Mar, Jamila Sandora sempre ganhou os holofotes por sua beleza e simpatia. O destaque no mundo da moda acabou rendendo uma oportunidade para trabalhar como Ring Girl, onde conheceu de perto o mundo das artes marciais.  Foi paixão à primeira vista. De 2017 para cá, a “Musa do Vasco” vem migrando profissionalmente da passarela para os tatames, tornando-se protagonista do octógono.

Integrante da PRVT (Paraná Vale Tudo), considerada a maior equipe feminina de MMA do Brasil na atualidade, Jamila está invicta com 4 lutas profissionais e 4 vitórias. Aos 37 anos e um físico invejável, a atleta modelo falou com exclusividade para a Combat Sport sobre os desafios da carreira, dentro e fora dos ringues.

Reprodução Instagram @jamilasandoraoficial

Combat Sport – Como é possível conciliar a vida de modelo e digital influencer com os treinamentos de MMA?

Jamila Sandora – Meu dia é muito curto, eu vivo na correria, tenho que fazer muita coisa ao mesmo tempo. Nem sempre consigo concluir tudo a tempo.

CS – Como tem sido treinar na PRVT, um dos grandes polos de lutadoras femininas da atualidade? O que ela trouxe de novo para sua vida?

JS – Eu não me vejo em outra equipe que não seja a PRVT. Tenho grandes referências como profissionais e pessoas lá dentro. São companheiras e todas ajudam umas as outras a alcançarem seus objetivos. A vitória de uma é a de todas também.

CS Como é dividir o tatame com Jessica Andrade? Você sonha em chegar ao UFC como ela?

JS – Estar com a Jéssica é muito aconchegante. É uma pessoa humilde, maravilhosa, atenciosa. Ela nos ajuda muito a crescer, conta histórias de superação e tem muita paciência em nos ensinar. Tenho ela como espelho e admiro muito. Com o apoio dela e do mestre Paraná acredito muito na chance de chegar também no UFC!

CS – Você está invicta no card profissional (5 lutas e 5 vitórias). Como você trabalha a parte mental para não deixar o entusiasmo subir a cabeça e manter o foco para continuar vencendo no tatame?

JS – Eu não sou melhor que ninguém, apenas tento dar o meu melhor e acredito na força de Deus. Preciso respeitar minha adversária porque, graças a ela, iremos entrar em um grande evento com intuito de dar o nosso melhor. E que vença que estiver mais preparada!

Reprodução Instagram @jamilasandoraoficial

CS: Como é sua preparação antes de uma luta? Você foca de acordo com a adversária?

JS – Não me importo com a adversária, me preocupo em estar preparada. Minha luta começa nos treinos. Tenho que ter muito equilíbrio emocional para controlar a minha ansiedade, quero sempre fazer muita coisa ao mesmo tempo. Por isso, tenho buscado trabalhar mais a resistência, técnicas, pressão, isometria. Se eu fizer o que preciso fazer e me focar nos meus treinos, não preciso me preocupar com a adversária. Pode vim qualquer atleta que estarei confiante para encarar.

CS – Jiu-Jitsu, Muay Thai… luta de solo ou em pé? Qual estilo te atrai mais e por quê?

JS – Eu gosto do contato físico! Eu sempre me testo pra saber o quanto eu aguento e o quanto eu consigo bater. Saio sempre muito orgulhosa, mas sei que posso melhorar muito mais.

CS – Vc acha que o título de Musa atrapalha ou ajuda dentro do esporte? Existe preconceito por conta da sua história como modelo?

JS – Meu título ajuda muito na divulgação mas no cage se eu não tiver potencial eu não me destaco e ninguém vai querer ver luta minha. Não acho que existe preconceito, sou tratada como uma atleta. Sinto que as pessoas me olham muito e ficam na expectativa de me ver lutar.

Reprodução Instagram @jamilasandoraoficial

CS – O que a experiência como modelo agrega pra você na hora do combate e o que você leva do tatame para o mundo da moda?

JS – Eu sou muito grata a minha carreira de modelo pois me ajudou muito a lidar com público e a ter visibilidade. No mundo da moda, a luta me ajuda muito a manter um shape sem precisar que a atividade física seja algo sacrificante.

CS – Muitas mulheres ainda tem receio de que lutas podem deixar o corpo “deformado”, mas você é um grande exemplo de sensualidade. Como você encontrou o equilíbrio entre a “força” do esporte e a “delicadeza” da mulher?

JS – Eu sou muito vaidosa e tenho uma briga constante com isso pela falta de tempo. Para lutar precisei abrir mão de algumas coisas, por exemplo unhas grandes, mega hair, cílios postiços, entre ourtos, mas mesmo assim tento sempre manter minha feminilidade. Quero que continuem me vendo como uma das mulheres mais sexy do Brasil. Então, me preocupo muito com a aparência mas consigo associar isso muito bem com o universo da luta.

CS – O Brasil tem obtido muitos resultados expressivos no MMA feminino, basta olhar o UFC com a Amanda, Cyborg, a própria Jessica… Que conselhos você dá para as mulheres iniciarem no esporte?

JS – As melhores lutas têm sido as femininas, são mais agressivas e “raçudas”. As mulheres estão indo com garra e conquistando cada vez mais seu espaço no mundo da luta. Por isso, se você quer entrar nesse universo não deixem de ir atrás do sonho por receio de alguma coisa, apenas siga seu coração. No final, vale muito a pena!

CS: Como você avalia seu momento no esporte?

JS – Meu último combate foi contra a Claudia Leite no mês de abril em São Paulo, foi uma luta bem empolgante, fomos até o terceiro round usando toda nossa força e coração. O evento nos deu uma grande visibilidade, foi bom para nós duas. Depois disso, assinei um contrato com o Ares Fighting Championship, um evento europeu de alto nível, tão profissional quanto o UFC. Fiz um contrato de 4 lutas. Com isso, era pra eu ter lutado mais vezes ano passado, mas as adversárias escaladas acabaram se machucando. Este ano eu iria fazer meu primeiro combate internacional, contra uma marroquina, faixa preta de judô, no mês de abril, mas devido a Pandemia do Coronavírus foi adiado para o mês de outubro.

 

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