domingo , 27 setembro 2020

Com Marcio Laselva, Brazilian Jiu-Jitsu segue forte nos EUA

Paulista já tem mais de 11 faixas pretas formados na Terra do Tio Sam e é um dos destaques como arbitro central em grandes eventos de combate.

Nascido em Osasco, mas criado em Indaiatuba, interior de São Paulo, Marcio Laselva começou no Brazilian Jiu-Jitsu aos 25 anos. Treinando desde 1996, é atualmente faixa preta 4º grau formado pelo professor Roberto Tozi, da equipe G13. Após ter sua própria academia por 5 anos e passar por um processo de divórcio, em 2005 Laselva aceitou uma oferta de trabalho de um amigo norte-americano para ministrar aulas no Kansas, na cidade de Derby, e de lá não saiu mais.

“Eu já havia morado em Nova York quando eu tinha 19 anos, então falava bem inglês. Eu sempre soube que um dia iria morar nos Estados, por isso a adaptação foi um pouco mais fácil. Sai do Brasil quebrado financeiramente. Ao chegar fui apresentado ao dono da academia que me arrumou um quarto na casa de uma menina que trabalhava pra ele. Trabalhei lá por 2 anos”, conta.

Marcio Laselva

Apesar do prestígio do jiu-jitsu em solo americano, Marcio lembra que foi preciso quebrar algumas barreiras para conquistar o respeito dos alunos. “O wrestling é muito grande aqui e eles não gostavam do nosso uniforme. Assim, tive que me impor quanto a maneira de ensinar o jiu-jitsu tradicional. Se quiser treinar têm que por o kimono e pronto.”

Outro grande desafio foi entender a cultura individualista e aprender a abrir mão do conceito paternalista da modalidade. “Aqui não tem problema nenhum o aluno treinar mais de uma academia ao mesmo tempo. Eu sempre ouvi falar: “ou você é Vasco ou é Flamengo”, então a princípio eu não concordava com essa mentalidade. Isso me custou muitos alunos. Hoje eu vejo as coisas olhos diferentes, acabei me tornando um pouco “frio” assim como eles. Ainda prefiro um relacionamento mais próximo, mas entendo o que eles querem fazer “pulando de galho em galho” e quando eles se vão a gente não sofre tanto”, explica Laselva.

Campeão brasileiro em seu peso e no absoluto (faixa marrom), Marcio também subiu ao pódio na Terra do Tio Sam, sendo  vice-campeão pan-americano e campeão nacional, além de se aventurar pelo MMA. “Algumas vezes me perguntaram se eu já havia lutado MMA, então fiz duas lutas e ganhei ambas por finalização. Infelizmente não lutei mais, porém foi uma boa experiência.”

Hoje, com 11 faixas pretas formados em território norte-americano, o treinador optou por investir em uma área onde poucos se sentem confortáveis: a arbitragem. Ao notar que existiam poucos especialistas em luta de solo, em 2012 entrou para a comissão atlética do Kansas.

“Para ajudar no crescimento do esporte era preciso que eu me envolvesse mais. Então, em 2013 passei a arbitrar. No início era bem difícil, por muitas vezes não pude arbitrar pois havia um aluno meu no card e o comissário me descartava para evitar conflito de interesses. Mas provei meu valor e honestidade, hoje faço lutas dos meus alunos e também sou o árbitro preferido em combates com brasileiros. Por conta do idioma também atuo como interprete e facilita muito para a comissão técnica, médicos, enfim, toda dinâmica da luta”, explica Laselva.

Marcio arbitrando

Com um bom relacionamento com os promotores de eventos, Marcio lembra que para evoluir o aprendizado deve ser contínuo. “O árbitro não é o centro das atenções é parte do espetáculo. Para aqueles que desejar investir na profissão, recomento, sempre que possível participar de intercâmbios e cursos. Gosto muito dos ministrados pelo Big John McCarthy e pelo Rob Hinds. E, obviamente, falar inglês é imprescindível.”

A boa reputação do brasileiro também abriu as portas para alguns talentos. Jeimeson Saudino, por exemplo, é o atual campeão da cat. 125lbs do evento X.F.N. de Oklahoma. “É o meu maior lutador. Fiz dele faixa preta de jiu-jitsu e também nível preta em kickboxing, formado pelo meu amigo professor Renato Nato. Também abri portas Johnny Marigo e alguns outros”, diz Laselva.

Agora, com a cidadania americana garantida, Marcio segue firme difundindo o Brazilian Jiu-Jitsu e não é a toa que se tornou referência na região centro-oeste dos EUA. Para aqueles que ainda pensam em tentar o famoso “sonho americano”, ele deixa um recado. “Tudo é possível se você tiver Jesus no seu coração e se dedica. Não tenha medo do fracasso,  todos nós caímos  mas somente alguns se levantam e conseguem chegar ao seu destino.”

 

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