quarta-feira , 14 abril 2021
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Carolina Soares: a voz feminina da Capoeira

Conheça a trajetória da iguapense que é um dos símbolos da cultura brasileira

O encontro das avenidas mais famosas do Brasil, Ipiranga com a São João, é, certamente, um marco importante para a música popular brasileira. Mas o que muitos não sabem é que o ritmo da Capoeira também marca presença no icônico Bar Brahma, na voz firme de Carolina Soares.

Primeira mulher do mundo a gravar e compor cantigas de roda, a cantora natural de Iguape, cidade localizada na divisa entre São Paulo e Paraná, está a mais de 15 anos levando sua musicalidade para os 4 cantos do país e do mundo. Confira em uma entrevista exclusiva a trajetória de uma das grandes vozes que embalam a Capoeira no Brasil.

Carolina Soares

Combat Sport: De onde surgiu seu interesse pela Capoeira?

Carolina Soares: Eu canto desde os 15 anos de idade, sendo que profissionalmente desde os 16. Aos 17 vim para São Paulo, mas não conseguia me sustentar apenas com os shows. Foi então que arrumei um trabalho de relações públicas para divulgar a Revista Capoeira. Passei a frequentar mais as rodas e eventos e nunca mais saí. Mas eu sentia falta da presença feminina no meio. Aproveitando a minha ligação com a música, resolvi pedir espaço nas rodas para cantar. Hoje, aos 40 anos de idade, tenho 6 discos de Capoeira e vários sucessos, como “Vou Cantar pra Você”, “Capoeira não pode parar”, “Canto na areia”, “Capoeira de Menino” e “Mulher na roda” .

CS: Como foi a receptividade dos capoeiristas com você, recém chegada na arte? Você enfrentou muito preconceito?

Carolina: Sim, a capoeira era uma arte predominantemente masculina. Diziam que mulher não tinha fundamento pra cantar, então era sempre vista como uma ajudante no espetáculo. Eu entrei justamente para quebrar todos esses paradigmas. Eu pedia pra cantar, mas alguns faziam de conta que não tinham ouvido. Teve vezes em que eu viajei com os grupos, o pessoal me deixava para trás no hotel pra eu perder as apresentações. Depois de um tempo eu vi que precisava ser mais direta: Olha, hoje eu vou cantar e ponto, chegava junto e ia pra cima, senão não conseguia ter espaço. Enfim, passei por muita coisa.

Cantora em show no Memorial da América Latina em SP capital

CS: Quando você sentiu que o jogo virou e o pessoal passou a te respeitar mais?

Carolina: Acho que a partir do quarto ano que eu estava me dedicando as cantigas, quando lancei meu segundo disco. Foi quando passei a compor minhas próprias músicas, o pessoal  me deu uma “folga”. Minha primeira composição foi “Menino não zangue comigo”, que foi uma resposta a uma música do Mestre Barrão chamada “Capoeira Sereia”, onde ele conta a história de um amor que pediu pra ele escolher entre ela e a capoeira e ele diz que prefere a despedida do que largar a capoeira. Eu resolvi então falar sobre o lado feminino dentro da Capoeira, algo que não existia. “Menino não zangue comigo” fez tanto sucesso que Mestre Barrão depois me pediu para gravá-la também.

Você sentiu muita dificuldade em fazer suas próprias músicas?

Carolina: A capoeira não é uma música de muitas cifras, tem um ritmo fácil de encaixar e as letras são simples, mas repletas de trocadilhos. Não digo que foi fácil, mas a necessidade de criar uma identidade própria fez com que eu buscasse o melhor e as coisas foram fluindo bem. Costumo dizer que as músicas que interpreto resumem tudo o que realmente acredito. Antes mesmo de existir essa história de feminismo, eu estava lutando pela representatividade da mulher nas artes. Essa vivência influenciou e inspirou minhas composições.

Carolina é presença frequente na agenda do Bar Brahma

CB: Como os cantos de capoeira são vistos no exterior?

Carolina: Pessoal gosta muito. Em 2008, fiz uma turnê internacional na Grécia e na Turquia, foi maravilhoso, fomos muito bem recebidos, tivemos pessoas do Azerbaijão, Rússia, enfim, de vários países europeus na plateia. Posso dizer que capoeira me levou para lugares inimagináveis. Em 2020 estamos negociando uma ida para Índia e Dubai.

CB: Assim como a capoeira, você abriu as portas para as mulheres em um novo “nicho” que abrange arte marcial, esporte, cultura popular, dança e música… Como você vê esse legado?

Carolina: Até hoje posso dizer que sou a única mulher que se dedica integralmente ao trabalho fonográfico com a capoeira. Já estive em 11 países fazendo turnê e ainda é um universo muito masculino. Por um lado é ruim ver que não surgiu outra sucessora, seja no Brasil ou no exterior. Por outro, é visível que meu trabalho contribuiu muito para a participação das mulheres nas rodas de capoeira. Hoje os grupos incluem muito mais as mulheres, elas cantam, tocam, jogam, estão em diversas funções. Esse legado eu me orgulho bastante.

CB: Sua família também te acompanha nessa jornada com a Capoeira?

Carolina: Tenho 3 filhos, dois meninos e uma menina. Os dois maiores eu levei para praticar mas eles acabaram não criando muito vínculo. A caçula tem 4 anos, de vez em quando levo ela, mas ainda é algo muito lúdico. Mas eu tenho uma sobrinha de 9 anos, filha da minha irmã, que pratica e tem um futuro bem promissor na música se for incentivada.

Aos 40 anos de idade, cantora tem 6 discos de Capoeira

CB: Hoje você ainda se dedica integralmente aos cantos de Capoeira ou não?

Carolina: Faço mais singles, não mais discos só de Capoeira. Hoje meu trabalho tem um repertório mais amplo, com samba raiz e ritmos brasileiros. No meu último disco, “Audácia”, gravei com Zeca Pagodinho, Dudu Nobre, Jorge Aragão, grandes nomes. Em 16 anos de carreira, já fiz temporadas de shows com o Mestre Jamelão da Mangueira, Alcione… Em 2009 fui intérprete da Escola de Samba X9 Paulista no carnaval de São Paulo. A capoeira se tornou um projeto paralelo. Pelo menos uma vez por ano viajo ao exterior levando minha música e ainda sou frequentemente convidada para rodas de capoeira em todos os estados.

CB: Quem quiser ouvir seus sucessos, como faz?

Carolina: Com a pandemia, infelizmente a agenda de eventos está temporariamente suspensa. Mas dá pra ouvir no aconchego da sua casa, no trabalho ou no carro por meio da minha playlist no aplicativo Spotify, basta procurar por Carolina Soares.

Além da Capoeira, repertório da cantora conta com samba raiz e ritmos brasileiros
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