sábado , 20 julho 2019

Ariane Lipski – Revelação curitibana conquista a Polônia

Em estádio polonês, lotado com 55.000 pessoas, brasileira comemora a vitória no KSW, maior evento europeu de MMA

Curitibana com descendência polonesa, a jovem de 23 anos se destaca na categoria mosca (flyweight) e se consagrou Campeã Internacional da NSS, em maio desse ano, no maior evento da Europa, o KSW, vencendo por finalização Diana Belbita, num grande estádio de futebol, em Varsóvia (Polônia), lotado com 55.000 pessoas. Com pouco mais de três anos e meio no profissionalismo, acumula nove vitórias (com seis nocautes, sendo cinco no primeiro round, uma por submissão e duas por pontos), em doze lutas.

Nesta entrevista concedida à revista Combat Sport, conheça a carreira de “Violence Queen”, apelido que Ariane ganhou no evento KSW.

Quando e onde iniciou sua carreira?
Aos 16 anos comecei a treinar Muay Thai em uma academia pequena de bairro. Treinava com o professor do horário; era algo amador. Quando decidi me profissionalizar, fui para a Rasthai Temple e passei a treinar com Renato Rasta.
Quem são seus treinadores?
Meu treinador principal é o Renato Rasta, que monta a estratégia para todas as lutas, tanto de MMA, quanto de Muay Thai e até as de Jiu jitsu, mas tenho professores especializados no Jiu jitsu de quimono, cujo responsável é o professor João Vinicius e ainda tenho os treinos de “rolas” e aprimoramento técnico com o professor Sebastian Lalli na academia Equipe 1/ Checkmat.

Quais parceiros de treino e atletas ajudam no seu desenvolvimento?
Toda a equipe Rasthai me ajuda no treinamento do dia a dia e quando estou com luta marcada fazemos alguns treinos com equipes parceiras, como as academias Stiker’s House e Killer Bees.
Como são os treinos?
Periodizados conforme as competições pelos meus treinadores Renato Rasta e meu preparador físico Patrick Cardoso. Em média faço de dois a três treinos por dia na semana. Descanso aos domingos.

Como decidiu lutar MMA?
Quando mudei de academia, todos os atletas treinavam Jiu Jitsu e então comecei a treinar também por curiosidade e vontade de aprender uma arte marcial nova. Depois começaram os treinos de MMA e comecei a participar. A decisão de lutar MMA acabou sendo natural.
Quantas vitórias no MMA?
No momento atual estou com 9 vitórias, em 12 lutas. A última delas foi a mais importante, onde me consagrei campeã do maior evento da Europa, o KSW.

Com ótima sequência, Ariane mostra sua potência e Diana Belbita acusa os golpes.
Como seus pais viram sua ideia de ser lutadora?

Meu pai não pode acompanhar minha carreira, pois faleceu quando eu tinha 16 anos. No começo minha mãe, mais pelo medo de me ver machucada e por saber da dificuldade da vida de um atleta, era contra. A aceitação veio com o tempo e hoje minha mãe sente muito orgulho.
O que acha do MMA feminino?
O MMA feminino está crescendo, as atletas estão cada vez melhores e aumentando o nível técnico. Acho que ainda tem muito a crescer, mas está evoluindo no tempo certo.
Quais os eventos mais marcantes e que foram importantes para seu crescimento?
O Nitrix FC com certeza foi o que mais me marcou. Foi onde fiz minha estreia no MMA profissional e consegui vencer uma adversária mais graduada que eu. Já a Copa Striker’s House foi o evento mais importante, pois era um momento difícil na minha carreira e continuaram acreditando no meu potencial, me dando oportunidade de lutar mesmo vindo de derrota. Foram as três lutas neste evento que ajudaram a me deixar preparada para fazer a estreia internacional no KSW.
Qual a luta mais dura que teve no MMA?
Considero o combate contra a Sheila Gaff, por ser uma atleta bem mais experiente forte fisicamente. No começo da luta eu saí um pouco da estratégia, mas no final consegui impor o que tinha treinado e venci.
Como é disputar um título mundial num estádio com mais de 55.000 pessoas?
A felicidade é muito grande em saber que sou a atleta feminina brasileira que lutou para o maior público da história do esporte. Quem luta sonha com esse momento, de se tornar campeã de um grande evento e isso aconteceu comigo com apenas 23 anos, mas o foco seria o mesmo se eu lutasse para 300 pessoas. Era uma luta e eu tinha uma adversária para vencer. Claro que por ser pelo cinturão, tive que ter uma cautela maior para não errar e me tornar a campeã do KSW.
Quem gostaria de enfrentar no Brasil?
Acho que a melhor luta para mim no Brasil seria contra a Ronda Rousey. Houve rumores de que ela desceria para a minha categoria. Além de uma excelente lutadora que fez muito pelo crescimento do MMA feminino, é uma das atletas que mais tem visibilidade. Uma vitória sobre um nome forte como o dela daria um grande salto na minha carreira e sendo no Brasil, acredito que teria a torcida ao meu lado.
Se espelha em alguém?
Sim, em meu treinador Renato Rasta. Me espelho na disciplina dele como atleta e na agressividade que ele consegue colocar na luta sem perder a técnica.

Sofrendo golpes contundentes e temendo um nocaute, a romena busca uma luta agarrada. Lipski continua se impondo, com um Muay Thai afiado.

Tem algum ídolo?
A Cris Cyborg é uma atleta que admiro muito. Fez muito pelo MMA feminino quando ainda não tinha toda essa mídia e é agressiva nas lutas como eu gosto de ser também, além de ter um coração enorme e ser uma boa pessoa. A admiro dentro e fora do ring.
Se não estivesse lutando, optaria por qual profissão?
Não me vejo em outra profissão que não seja a de atleta. Se não tivesse entrado no meio, teria que achar algum outro esporte para me identificar.
Com sua experiência internacional, como avalia a situação dos eventos nacionais?
Estão ainda em um nível inferior, mas isso tem a ver também com a falta de patrocínios e organização.
Sugestão de mudança?
Mesmo com pouca verba, tem como o evento ser pontual, organizado e claro nas regras. Esclarecer isso para os atletas e treinadores e explicar o que os juízes avaliam em uma
luta, tornaria a arbitragem coerente. Acho que se isso fosse colocado em prática, os eventos nacionais já estariam em um nível melhor.
Faça uma breve descrição do seu treinamento e dieta.
Até duas semanas antes da luta tenho uma dieta com bastante calorias e carboidratos para aguentar a intensidade dos treinos, mas comendo apenas carboidratos integrais. Estou sem patrocínio de suplementos, mas faço o possível para estar o mais bem suplementada, para conseguir recuperar a musculatura e no dia seguinte acordar o menos cansada possível.
Quando faltam duas semanas, começo a diminuir a intensidade dos treinos e então reduzo as calorias ingeridas por dia e assim começo a perder o peso para a luta, mas somente nos últimos dias faço o processo de desidratação necessária para bater o peso da minha categoria, 56,700kg.
Depois da luta tenho uma semana em que posso não ficar regrada na alimentação e nos treinos. Depois disso volto com a alimentação anterior, comendo bastante proteína e carbo para retornar aos treinos, tentando sempre suplementar o máximo possível.
Na parte técnica, fora de época de competição, dou muito foco para modalidades isoladas, como o Muay Thai tradicional, o Jiu Jitsu de quimono, o Wrestling e o Boxe. Tento participar de competições dessas modalidades para estar cada vez melhor e mais completa como atleta. Quando chega perto dou foco maior para o que é o meu forte, que é o MMA e a estratégia que é feita conforme a adversária, tentando fazer o anti jogo para vencer a luta.
Agradecimentos
Academia Checkmat, Pit Bull West Coast, The Factory Gym,
British and American, Linnus Institute, Mouthex, Só Carrão,
Street Custom’s e aos profissionais Renato Rasta, Jackson
Martelli (reabilitação) e Thiago Luz (fisioterapia).

Texto: Xicão Joly
e-mail: xicaojoly@hotmail.com
Tel.: 41 99866-1382
Fotos: KSW/Divulgação

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